Como equilibrar a vida social com a solitude?

Luísa

A agenda do estúdio estava cheia. Projetos, reuniões, almoços com cliente. No fim de semana, Luísa tinha combinado de ir à festa de aniversário da prima, ao café com as amigas da faculdade e ao jantar na casa da mãe do Carlos.

Domingo à noite, ela chegou em casa e desabou no sofá. Os olhos ardiam. A cabeça doía.

— Você parece exausta — Carlos disse, sentando ao lado.

— Tô.

— Foi bom?

— Foi. Tudo foi bom. Mas é muita gente.

Ela ficou em silêncio. Toby pulou no sofá e deitou no colo dela. Ela fez carinho na orelha do cachorro. O silêncio da sala era um alívio.

— Marquei um happy hour com o pessoal do coworking pra terça — ela disse.

— Você quer ir?

— Não. Marquei porque todo mundo ia.

— Então desmarca.

Ela olhou para ele.

— Posso?

— Você pode tudo. Não precisa ir em tudo que te convidam.

Luísa pensou nisso. Ela gostava de gente. Gostava de conversar, de estar no meio do movimento. Mas nos últimos meses, sentia que estava sempre ligada. Sempre disponível. Nunca sozinha.

Na segunda, ela abriu a agenda e olhou para a semana. Segunda livre. Terça happy hour. Quarta reunião. Quinta jantar. Sexta livre. Ela pintou os dias livres de verde.

Terça, desmarcou o happy hour. A organizadora respondeu "entendo, próxima!" e pronto. Ninguém morreu.

Ela passou a terça em casa. Leu um livro. Cozinhou uma receita nova. Fez carinho no Toby. Dormiu cedo.

Quinta, foi ao jantar. Mas saiu às dez, antes de todo mundo.

— Já vai? — perguntaram.

— Vou. Tô com sono.

Não era mentira. Mas também não era a verdade inteira. A verdade era que ela estava aprendendo a dosar. Ir em algumas coisas. Ficar um tempo. Sair antes de saturar.

Depois de um mês testando, ela percebeu: não precisava escolher entre vida social e solitude. Precisava de um ritmo que alternasse os dois. Gente, depois silêncio. Fora, depois dentro. Falar, depois ouvir os próprios pensamentos.

Ela fechou a agenda do mês seguinte deixando duas noites por semana em branco. Sem planos. Sem culpa.

*Continua em: 443 — Interagir em festa corporativa*