Como lidar com a ansiedade social?

Carlos

O sábado era o churrasco na casa do Beto. Família, amigos próximos, cerveja gelada, música alta. Carlos estava no quarto, de cueca, olhando para duas camisetas estendidas na cama.

— Você tá se arrumando desde o almoço — Luísa apareceu na porta, já vestida. — O que foi?

— Não sei o que vestir.

— É um churrasco, não um casamento.

— Eu sei.

Mas não era sobre a roupa. Era sobre entrar na sala e todo mundo olhar. Sobre ter que puxar assunto com o primo que só fala de política. Sobre a tia que pergunta toda vez "e o casamento, quando sai?" Sobre o desconforto de ficar em pé no canto com um copo na mão.

— Vou de camiseta cinza — ele disse.

— Ótimo. Vamos.

No caminho, no carro, Carlos ficou em silêncio. Luísa percebeu.

— Você pode ficar vinte minutos, se quiser. Se estiver muito ruim, a gente inventa uma desculpa e vai embora.

— Não precisa disso.

— É uma opção. Saber que você pode ir embora ajuda.

Chegaram. A casa do Beto estava cheia. Crianças correndo, adultos em volta da churrasqueira, o cheiro de carne defumada. Carlos cumprimentou todo mundo com um sorriso rápido. Sentiu o coração acelerar.

Ele ficou perto da churrasqueira, onde o Beto virava a carne. Menos gente. Menos pressão.

— Tudo bem? — Beto perguntou.

— Tudo. Só descansando.

— Fica à vontade.

Carlos ficou ali por uns dez minutos, vendo o irmão grelhar. Depois sentiu que dava para circular. Cumprimentou a cunhada. Brincou com o sobrinho. Achou um lugar na mesa onde podia ouvir sem precisar falar.

Luísa passou por ele e apertou o ombro.

— Tá bem?

— Tô.

Não era uma mentira. A ansiedade não tinha ido embora. Mas ele tinha aprendido a dosar. Entrar devagar. Escolher os cantos seguros. Saber que podia ir embora se precisasse.

No fim da noite, no carro, Luísa ligou o som baixo.

— Você ficou bem.

— Fiquei? Achei que fiquei travado no começo.

— Ninguém percebeu. Você pareceu tranquilo.

Carlos olhou pela janela. Talvez o segredo não fosse vencer a ansiedade. Talvez fosse aprender a navegar com ela.

*Continua em: 442 — Luísa — Como equilibrar a vida social com a solitude?*