O celular tocou às dez da noite. Era a Camila. Chorando.
— Tô grávida. Mas não posso contar pro pessoal do estúdio ainda, porque meu primeiro trimestre não passou. Só você sabe.
— Não conto pra ninguém — Luísa disse.
Dez dias depois, Camila faltou ao trabalho pela terceira vez na semana. A cliente nova reclamou. O prazo apertou. A pressão no estúdio aumentou.
Na reunião, a outra sócia, Renata, virou para Luísa:
— A Camila tá sumindo. O que tá acontecendo?
Luísa sentiu o nó no estômago. Camila não tinha autorizado contar. Mas a situação estava afetando o trabalho. A cliente no telefone. O prazo escorrendo. A Camila sem aparecer.
— Ela tá passando por uma situação — Luísa disse. — Não é da minha conta contar. Mas sugiro a gente conversar com ela sobre priorizar os prazos.
Renata franziu a testa, mas não insistiu.
No dia seguinte, Luísa pediu para Camila almoçarem juntas.
— Eu não contei pra ninguém. Mas a Renata tá preocupada. O estúdio tá sentindo sua falta. Você precisa decidir se quer que eu continue guardando ou se prefere contar.
Camila ficou em silêncio, o garfo rodando na comida.
— Acha que eu devo contar?
— Acho que o estúdio é seu. Sua sócia devia saber por você. Mas é sua decisão.
Na sexta, Camila chegou cedo. Pediu uma reunião com as duas sócias. Saiu uma hora depois com os olhos vermelhos. Luísa entrou na sala e Camila abraçou ela.
— Contei. Ela entendeu.
— E agora?
— Agora a gente vai reorganizar os prazos.
Mais tarde, Luísa pensou que quebrar um segredo não era sobre trair confiança. Era sobre saber quando o silêncio fazia mais mal do que bem. O segredo não era dela. Mas a responsabilidade sobre o que fazer com ele, sim.
*Continua em: 435 — Carlos — Como lidar com um amigo fofoqueiro?*