A sala de reunião do coworking tinha um quadro branco coberto de rabiscos e um cheiro de café passado fazia horas. Seis pessoas conversavam em volta da mesa grande. Luísa tinha acabado de entrar. Era a nova do grupo de networking.
Ela ficou parada perto da porta, a bolsa transversal apertada contra o corpo, esperando uma pausa na conversa para se apresentar. Mas a pausa não vinha. As pessoas falavam sobre um edital que tinha saído, sobre prazos, sobre um fornecedor que atrasou tudo.
Ela passou a mão no cabelo. Normalmente, Luísa não tinha problema em se apresentar. Em reuniões de cliente, assumia a frente. Mas era diferente. As pessoas já se conheciam. Ela era a peça nova entrando numa engrenagem que já girava.
Depois de cinco minutos parada, um rapaz de óculos redondos virou para ela.
— Você é a nova? A designer?
— Sou. Luísa.
Ele estendeu a mão.
— Gabriel.
— Prazer.
Ela disse o nome, mas sentiu que não era suficiente. Todo mundo na mesa era designer, desenvolvedor ou produtor. O que a diferençava?
— Eu sou sócia de um estúdio pequeno — ela acrescentou. — A gente foca em identidade visual para marcas locais. Trabalho com design há sete anos.
Gabriel ergueu as sobrancelhas.
— Sete anos? Você é nova pra ter sete anos de estúdio.
— Comecei cedo.
Uma moça de cabelo preso se inclinou na mesa.
— A gente tá precisando de alguém pra rebranding de uma cliente nossa. Você topa trocar uma ideia?
— Topo.
Luísa sentou. Não precisou de um discurso ensaiado. Bastou dizer quem era, o que fazia e há quanto tempo fazia. O resto veio naturalmente.
Mais tarde, quando saiu, ela lembrou de uma coisa: antes de entrar no grupo, ela tinha passado cinco minutos em silêncio esperando a vez. Na próxima vez, não ia esperar a pausa. Iria criar a própria.
*Continua em: 427 — Carlos — Como controlar o nervosismo ao falar em público?*