O briefing chegou errado. O cliente enviou o arquivo com as especificações trocadas — a paleta de cores era de outro projeto, as fontes não combinavam, o prazo era pra ontem.
Luísa abriu o e-mail e sentiu o calor subir. Ela ia responder. Escreveu:
"O briefing tá todo errado. As cores são de outro projeto e as fontes não batem. Precisamos do briefing correto urgentemente."
Ela releu. Parecia grossa. Mas era a verdade.
— Calma — Camila disse, olhando por cima.
— Calma o quê? O briefing tá errado.
— Tá. Mas seu tom vai fazer ele se fechar.
— Eu só falei a verdade.
— A verdade pode vir com aspereza ou com educação. A diferença é se você quer resolver ou desabafar.
Luísa suspirou. Apagou. Escreveu de novo:
"Oi! Recebi o briefing aqui. Acho que pode ter havido uma troca — as cores e fontes parecem ser de outro projeto. Você pode verificar e reenviar a versão correta? Pra gente não perder o prazo. Obrigada!"
Ela leu.
— Manteve a informação, suavizou o tom e incluiu um pedido — Camila disse.
— E não parece que tô com raiva.
— Parece que você quer resolver.
Luísa enviou. Quinze minutos depois, o cliente respondeu: "Nossa, verdade! Foi troca mesmo. Já corrigi e reenviei. Desculpa!"
Ela mostrou pra Camila.
— Viu? — Camila disse. — Mensagem agressiva faz a pessoa se defender. Mensagem clara e educada faz a pessoa corrigir.
— É que quando tô com pressa, vou direto.
— Pressa não pode virar grosseria. Só mais um segundo de revisão.
Luísa guardou o aprendizado. A próxima mensagem difícil levaria um segundo extra antes de enviar.
*Continua em: 423 — Escrever e-mail pessoal*