O chefe mandou uma mensagem no fim da tarde: "Relatório ficou bom 👍"
Carlos olhou pro polegar pra cima. Só isso. Sem texto. Sem "ótimo trabalho". Só o joinha.
Ele ficou parado, o celular na mão. Será que o Carlos estava satisfeito? Ou foi uma resposta automática, só pra não deixar no vácuo?
Na mesa da sala, Luísa estava lendo.
— O Carlos respondeu sobre o relatório?
— Respondeu.
— E aí?
— Só um joinha.
— Só?
— Só.
— E o que você acha que significa?
— Não sei. Pode ser que ele gostou. Pode ser que leu e não quis escrever.
— Qual das duas opções é mais provável?
Carlos pensou. Lembrou das vezes que o Carlos tinha criticado o trabalho dele. Nunca era sutil. Quando não gostava, falava. Quando gostava, também falava, mas menos.
— Ele não é de economizar palavras quando não gosta — Carlos disse.
— Então o joinha é um sim.
— É.
— Pronto. Você interpretou.
— Mas e se fosse outra pessoa?
— Depende. Cada pessoa tem um código. A Clarinha, por exemplo, manda três emojis de fogo quando ama alguma coisa. A Dona Margô manda coração em tudo que a gente posta, até notícia de acidente.
Carlos riu.
— É.
— O segredo é conhecer a pessoa. Emoji sem contexto é enigma.
Carlos guardou o celular. O joinha do Carlos significava que ele tinha aprovado o relatório. E ponto.
*Continua em: 420 — Luísa — Como evitar mal-entendidos com emojis?*