O post era inocente. Uma foto do café da manhã no sábado — pão na chapa, suco de laranja, o Toby ao lado. Carlos postou no Instagram, marcou a padaria. Nada demais.
Três horas depois, ele abriu o celular e viu a notificação. Um comentário: "Nossa, que vida sem graça. Só isso pra postar?"
Carlos leu duas vezes. A sensação foi estranha. Um incômodo no peito, uma indignação que subia quente. Ele nunca tinha recebido um comentário maldoso assim.
Os dedos coçaram pra responder. Escreveu: "ninguém te perguntou nada." Apagou. Escreveu: "se não gostou, passa." Apagou. Escreveu: "que isso, amigo, tá tudo bem?"
Luísa chegou na cozinha.
— O que foi?
— Um cara comentou no meu post. Uma grosseria.
— Deixa eu ver.
Ela olhou o comentário, depois o perfil do rapaz.
— Seguidor?
— Não. Apareceu do nada.
— Marcação?
— Também não.
— Então ignorar é a melhor resposta.
— Mas incomoda.
— Incomoda porque você deu atenção pra um estranho. Ele gosta disso.
Carlos guardou o celular. Não respondeu. Não bloqueou. Só passou o dedo e continuou o dia.
No fim de semana, ele postou outra foto — o Toby no parque. O comentário negativo não apareceu mais. Mas vieram quarenta curtidas e comentários de amigos de verdade.
Ele entendeu: os haters gritam alto, mas são poucos. O problema não é eles existirem. É a gente dar palco pra eles.
*Continua em: 414 — Luísa — Como lidar com o cancelamento nas redes?*