Eram onze da noite quando Carlos entrou em casa. A noite tinha sido boa — um jantar com um amigo que ele não via há meses, o tipo de conversa que saía do raso, que mergulhava em memórias e planos.
Ele sentou no sofá, o Toby pulou ao lado. Pegou o celular. O André tinha mandado uma mensagem: "Valeu pela noite. Precisava disso."
Carlos sorriu. Mas ficou com o celular na mão, pensando. Era a vez dele responder. Mas o quê? "Também gostei"? "Foi bom te ver"? Tudo parecia pouco.
Ele escreveu: "Foi muito bom. Vamos repetir mais vezes."
Leu. Parecia certo. Mandou.
André respondeu em segundos: "Combinado. Semana que vem tem mais."
Carlos colocou o celular no bolso. Tinha aprendido com a Luísa: mensagem depois do encontro não precisa ser longa. Só precisa mostrar que o momento importou.
No dia seguinte, no café da manhã, Luísa perguntou:
— O André respondeu?
— Respondeu. Marcamos de repetir.
— Viu? Não precisa de texto enorme.
— É. Só de mostrar que tava ali.
Ela passou a xícara pra ele.
— É sobre isso. As pessoas querem saber se a presença delas fez diferença.
Carlos tomou o café. Uma mensagem simples. Mas carregava o que ele queria dizer.
*Continua em: 412 — Luísa — Como mandar mensagem sem parecer desesperado?*