A caixa chegou pelo correio na terça-feira. Luísa abriu no balcão da cozinha, o Toby ao lado, cheirando a fita adesiva. Dentro: um cachecol de tricô, cor de vinho, macio, com um bilhete dobrado.
"Luísa, para você não passar frio no inverno. Com carinho, Dona Margô."
Luísa segurou o cachecol. A mãe tinha passado as noites tricotando. Ela reconhecia o ponto.
— Ela fez isso? — Carlos perguntou, passando na cozinha.
— Fez.
— Legal.
— Muito.
Luísa colocou o cachecol no pescoço. O fio aquecia. Mas o que esquentava mesmo era o gesto.
Ela sentou na mesa, pegou um papel de carta que guardava na gaveta. Uma caneta azul. E escreveu:
"Mãe,
O cachecol chegou. Usei ele o dia inteiro hoje. Obrigada por cada ponto. O trabalho é lindo e o carinho veio junto.
O inverno vai ser mais quente.
Beijo,
Luísa"
Ela leu em voz alta. Curtinho. Mas verdadeiro.
Carlos olhou por cima do ombro.
— Ela vai amar.
— Acha que é suficiente?
— É mais do que suficiente. É sincero.
Luísa dobrou o papel, colocou num envelope, escreveu o endereço da mãe. No dia seguinte, colocou na caixa do correio antes de ir trabalhar.
O vento frio da manhã bateu no rosto dela. Ela enfiou a mão no bolso e sentiu o cachecol no pescoço. Um agradecimento não precisava de muitas palavras. Precisava de verdade.
*Continua em: 411 — Carlos — Como mandar mensagem depois de um encontro?*