O trânsito estava parado na avenida. Carlos olhou pro celular por um segundo — a Luísa tinha mandado uma mensagem — e quando levantou a cabeça, o carro da frente tinha freiado.
Ele pisou no freio, mas já era tarde. O som do impacto foi seco. O parachoque dianteiro encostou no de trás do outro carro.
— Droga — ele murmurou.
Desceu. O motorista do outro carro também desceu. Era um homem de meia-idade, camisa social, cara de cansado.
— Olha só — o homem começou.
— Desculpa — Carlos disse, antes do outro terminar. — Eu vi o celular por um segundo. Foi erro meu.
O homem parou. Ia reclamar. Mas a desculpa sincera desarmou.
— Fez algum estrago?
Os dois olharam. O parachoque do outro carro tinha um arranhão pequeno, quase nada.
— Foi leve — o homem disse.
— Mesmo assim, me desculpa. Se quiser, a gente troca os dados.
O homem balançou a cabeça.
— Não precisa. Mas cuidado com o celular, hein? Vale uma multa.
— Vale. Não vai acontecer de novo.
— Tá bem.
O homem entrou no carro e seguiu. Carlos entrou no dele, apoiou as duas mãos no volante e respirou. O coração ainda batia acelerado.
Quando Luísa ligou, ele atendeu.
— Bateu o carro?
— Bati. Leve.
— Você tá bem?
— To.
— O outro motorista?
— Pedi desculpa na hora. Ele foi tranquilo.
— Porque você pediu desculpa — ela disse. — Se tivesse saído discutindo, ia ser pior.
— É.
— Acontece. A gente erra, pede desculpa, segue.
Carlos ligou o carro. O trânsito tinha andado. Ele seguiu, mais atento.
*Continua em: 410 — Luísa — Como escrever um bilhete de agradecimento?*