O ônibus estava apertado. Gente apertada no corredor, mochilas nos ombros, mãos nos balaústres. Luísa estava perto da porta do meio, mas precisava chegar até o fundo, onde tinha um lugar vago.
Ela olhou na frente. Um rapaz de fone, mochila nas costas, olhando pro celular. Do lado, uma senhora com sacolas. No meio, um homem segurando a barra.
— Com licença — ela disse, numa voz baixa.
Ninguém ouviu.
Ela respirou. Tentou de novo, mais firme.
— Com licença, posso passar?
O homem da barra virou o corpo, abrindo espaço.
— Pode, sim.
— Obrigada.
Ela passou. A senhora das sacolas também se afastou.
— Obrigada, dona.
— Tá indo pra onde, filha?
— Pro fundo.
— Então vai com calma que o motorista freia seco.
Luísa seguiu, segurando nos bancos, equilibrando o corpo. Chegou no fundo e sentou. A janela aberta trazia o vento quente da rua.
Na parada seguinte, mais gente entrou. Uma moça tentava passar no corredor.
— Com licença — ela disse, tímida.
Ninguém respondia.
Luísa se inclinou.
— Com licença, ela quer passar — disse em voz alta.
As pessoas abriram caminho. A moça olhou pra Luísa e agradeceu com os olhos.
Luísa sorriu. Era simples. Era só falar num tom que as pessoas ouvissem.
*Continua em: 409 — Carlos — Como pedir desculpas no trânsito?*