Como pedir ajuda a um desconhecido?

O pneu furou na saída do supermercado. Carlos parou o carro no acostamento, desceu e olhou pro pneu murcho. O sol do meio-dia batia no asfalto. Ele tinha um estepe, o macaco, mas nunca tinha trocado um pneu sozinho.

Ele ficou ali, parado, a mão na cintura. O trânsito passava. Ninguém parava.

— Preciso de ajuda — ele murmurou.

Olhou em volta. Num posto de gasolina a duas quadras, um homem de macacão azul lavava o para-brisa de uma caminhonete.

Carlos respirou fundo, atravessou a rua e se aproximou.

— Com licença, o senhor pode me dar uma mão?

O homem ergueu os olhos.

— O que houve?

— Pneu furou. Tenho o estepe mas nunca troquei sozinho.

O homem largou o pano, enxugou as mãos no macacão.

— Claro. Vem cá.

Carlos seguiu. O homem levantou o carro no macaco com naturalidade, soltou os parafusos, tirou o pneu furado e encaixou o estepe. Tudo em menos de dez minutos.

— Pronto — ele disse, apertando o último parafuso. — Mas não demora pra trocar esse estepe por um pneu novo, hein?

— Pode deixar. Muito obrigado.

— Imagina. Acontece com todo mundo.

Carlos ofereceu dinheiro. O homem negou. Ofereceu um refrigerante. O homem aceitou.

Sentaram na calçada do posto, tomando Coca gelada. O vento quente batia no rosto.

— Seu nome? — Carlos perguntou.

— Seu Jorge. Mas todo mundo me chama de Jorge do Posto.

— Carlos. Muito prazer.

— Prazer.

Carlos terminou a Coca. Tinha aprendido que pedir ajuda não era vergonha. Era só encontrar a pessoa certa e perguntar.

*Continua em: 408 — Luísa — Como pedir para passar no transporte lotado?*