A parada de ônibus estava quase vazia. Só uma senhora com sacolas e um rapaz de moletom apoiado no ponto. Luísa esperava sentada, o fone no ouvido, a bolsa no colo.
O rapaz de moletom se aproximou.
— Moça, cê é muito bonita.
Luísa tirou um fone.
— Oi?
— Falei que cê é bonita. Qual é seu nome?
— Não vou dar meu nome.
Ele riu, sem graça.
— Só perguntei.
— E eu só recusei.
Ele ficou parado por mais alguns segundos, esperando uma brecha. Ela colocou o fone de volta e virou o rosto. Ele deu de ombros e foi embora.
A senhora das sacolas se aproximou.
— Menina, você foi muito educada. Minha neta finge que não ouviu.
— Não adianta ser grossa — Luísa respondeu. — Mas também não adianta dar corda.
— E se ele insistisse?
— Aí eu levantava e ia pro outro lado da parada.
A senhora balançou a cabeça, aprovando.
— Vou ensinar isso pra minha neta.
O ônibus chegou. Luísa entrou, sentou perto da janela. O rapaz de moletom tinha ido embora. Ela não precisou ser rude. Só precisou ser clara.
*Continua em: 407 — Carlos — Como pedir ajuda a um desconhecido?*