A feira livre estava cheia. Carlos andava entre as barracas, uma sacola de laranjas pendurada no braço, quando um homem de barba grisalha se aproximou.
— Moço, o senhor pode me dar uma informação?
Carlos parou. O homem tinha o olhar cansado, a roupa simples, um boné desbotado.
— Fala.
— Tô procurando a rua das Palmeiras. É longe daqui?
— É a três quadras. O senhor vai reto, vira na farmácia, e é a segunda à esquerda.
— Obrigado.
— De nada.
O homem seguiu. Carlos continuou andando. Foi só depois de alguns passos que ele percebeu que tinha respondido sem hesitar. Sem desconfiança, sem medo.
Ele lembrou de quando era mais novo. Qualquer desconhecido que se aproximava já colocava ele em alerta. Cabeça baixa, passo acelerado, fones no ouvido. Agora era diferente.
Na barraca de verduras, uma moça morena sorriu.
— O senhor quer experimentar a alface?
— Levo duas.
Ela pegou as alfaces e colocou na sacola.
— É da região? Não lembro de ver o senhor por aqui.
— Moro perto. Venho de vez em quando.
— Então volta mais.
Carlos sorriu e pagou. Nem toda abordagem de desconhecido era problema. Algumas eram só conversa de feira.
*Continua em: 406 — Luísa — Como recusar uma abordagem de desconhecido?*