— A gente vai fazer isso hoje? — Luísa perguntou, olhando pra própria imagem no retrovisor.
— Você quer? — Carlos disse, a mão no volante.
— Quero. Mas tô nervosa.
— É sua mãe. Ela vai ficar feliz.
— Ela vai ficar feliz. Mas também vai chorar. E depois vai falar do meu pai. E depois vai querer marcar data.
Carlos segurou a mão dela.
— A gente pode ir e voltar quando você quiser.
— Tá bom.
Eles entraram. Dona Margô estava na cozinha, avental amarrado, cheiro de bolo no ar. Como se soubesse que elas precisavam de um cenário acolhedor.
— Senta, filha. O que vocês querem me dizer?
Luísa sentou. Carlos ficou ao lado.
— Mãe, a gente vai casar.
Dona Margô colocou a mão no peito. Os olhos encheram.
— Vocês vão?
— Vamos.
— Quando?
— Ainda não marcamos. Mas é pra frente.
Dona Margô levantou e abraçou a filha com força. O avental apertou o rosto de Luísa.
— Seu pai ia ficar tão feliz.
— Eu sei.
— Ele gostava do Carlos.
— Eu sei, mãe.
Dona Margô se afastou, enxugou o olho com as costas da mão.
— Então vamos marcar. Vocês querem festa?
— Ainda não decidimos.
— Mas eu quero ajudar.
— A senhora vai ajudar. Mas a gente vai devagar.
Dona Margô sentou de volta. Olhou pros dois.
— Tô emocionada.
— A gente também.
— Mas tô feliz. Muito feliz.
Ela serviu o bolo. E a conversa seguiu, sem pressa, como uma família que sabia que tinha tempo.
*Continua em: 397 — Carlos — Lidar com familiar que te desrespeita*