Era aniversário de casamento da tia Marisa com a tia Helena. Carlos ficou sabendo pelo grupo da família.
— É amanhã — ele disse pra Luísa. — A gente devia mandar alguma coisa.
— Claro. Flores, um cartão.
— Mas não é todo mundo que reconhece.
— Reconhecer o quê?
— O casamento delas. Teve tio que não foi.
Luísa parou de digitar.
— É verdade. Teve gente que tratou como se fosse um churrasco qualquer.
— Pois é. E elas estão juntas há quinze anos.
Carlos pensou no que fazer. Não queria um gesto grandioso, que chamasse atenção. Mas queria um gesto que dissesse: "a gente vê vocês, a gente celebra vocês".
Ele comprou um vaso de suculentas. Mandou entregar com um cartão escrito a mão:
*"Quinze anos de amor merecem ser celebrados. Feliz aniversário, tias. Com carinho, Carlos e Luísa."*
Horas depois, o telefone tocou. Era a tia Helena.
— O vaso chegou.
— Que bom.
— Carlos, a gente não recebe muitos parabéns, sabe?
— Eu imagino.
— Mas esse foi especial. Porque veio de alguém que entendeu.
Carlos sentou no sofá.
— A senhora é família. Do mesmo jeito que qualquer outro casal.
— Obrigada.
— Feliz aniversário, tia Helena. Pra vocês duas.
Quando desligou, Luísa estava olhando pra ele.
— O que foi? — ele perguntou.
— Nada. Só admirando.
— Admira o quê?
— Você tratou como se fosse a coisa mais natural do mundo. E deveria ser.
*Continua em: 392 — Luísa — Dividir contas em jantar com a família do parceiro*