— O que faz uma família ser unida? — Pedro perguntou, do nada, no meio do jantar.
Luísa e Carlos trocaram olhares.
— De onde veio essa pergunta? — Carlos quis saber.
— Tava pensando. Na escola, o Gabriel disse que a família dele não é unida. Que cada um fica no seu canto.
Luísa apoiou o garfo no prato.
— Boa pergunta.
— Você sabe a resposta? — Pedro insistiu.
— Não tenho uma resposta pronta. Mas posso falar o que eu acho.
Pedro esperou.
— União não é todo mundo junto o tempo todo. É saber que, mesmo separados, vocês estão do mesmo lado.
— Como assim?
— Tipo hoje. Você tá na escola, a gente tá no trabalho. Mas se der algum problema, a gente vai estar junto pra resolver.
— E isso é união?
— É o começo.
Pedro pensou. Voltou a comer.
Mas Luísa ficou remoendo a pergunta. Naquela noite, ela escreveu num post-it e colou no espelho:
*"União não é presença. É pertencimento."*
Nos dias seguintes, ela reparou mais. Nos pequenos gestos: Carlos levantar mais cedo pra fazer café pro Pedro, Pedro guardar o prato sem ninguém pedir, Toby deitar no colo de quem estava triste.
Na sexta, ela chamou os dois na sala.
— Vou falar uma coisa.
— Fala — Carlos disse.
— A pergunta do Pedro me fez pensar. A gente já é unido. Mas a gente pode ser mais. Não fazendo grandes coisas. Só prestando atenção.
— Tipo como? — Pedro perguntou.
— Tipo cada um falar uma coisa boa que aconteceu no dia. Todo dia. No jantar.
— Toda noite? — Carlos reclamou.
— Toda noite.
— Pode ser — Pedro disse.
Naquela noite, no jantar, eles tentaram. Carlos falou do café. Pedro falou da prova de matemática. Luísa falou do projeto.
Não foi um pacto solene. Foi uma conversa de três minutos. Mas era deles.
*Continua em: 391 — Carlos — Celebrar a família em todas as suas formas*