Carlos estava no sofá, celular na mão, rolando o feed. Toby dormia enroscado ao lado. Luísa leu um livro na poltrona.
— A gente não faz nada junto — ele disse, do nada.
— Como assim?
— A gente passa o dia no celular, vê TV, dorme. Não tem um momento de família de verdade.
— Você quer fazer o quê?
— Não sei. Algo que envolva todo mundo. Pedro quando vem, a gente, o Toby.
— Tipo jogo?
— Pode ser.
No sábado, Carlos comprou um jogo de cartas. Nada complexo — um Uno. Colocou na mesa da sala.
— Vamos jogar?
Pedro largou o tablet na hora. Luísa fechou o notebook. Toby deitou debaixo da mesa.
Eles jogaram três rodadas. Pedro ganhou duas. Carlos perdeu todas.
— Você é muito ruim — Pedro disse.
— Obrigado, filho.
— Foi elogio.
Luísa riu. Continuaram jogando.
No fim, Carlos percebeu que não era o jogo. Era sentar junto, sem tela, sem pressa. Era o Pedro rir quando ele comprava a quarta carta. Era a Luísa roubar na contagem dos pontos. Era o Toby latir quando eles gritavam "Uno!".
— Vamos fazer isso mais vezes — Carlos disse.
— Pode ser todo sábado — Pedro sugeriu.
— Combinado.
E foi assim. Toda semana, uma partida. Coisa pequena. Mas que, juntando, virava uma ponte entre eles.
*Continua em: 390 — Luísa — Construir uma família unida e feliz*