O problema começou pequeno. Uma noite mal dormida. Depois duas. Depois uma semana inteira de sono picado, acordando de madrugada com o coração acelerado.
Carlos tentou resolver sozinho. Chá. Música calma. Desligar o celular uma hora antes de dormir. Nada funcionou.
No trabalho, ele estava rendendo menos. O Carlos perguntou se estava tudo bem. Ele disse que sim.
Mas não estava.
Numa terça-feira, ele sentou no banco da praça depois do almoço. O sol quente na nuca. O Toby ao lado, ofegante. Ele olhou pro cachorro e pensou em como era mais fácil ser animal. Não precisava falar.
— Preciso de ajuda — ele disse em voz alta.
Toby abanou o rabo.
— Mas não sei como pedir.
Ele tirou o celular. Abriu a conversa com a Luísa. Escreveu: "Preciso conversar." Apagou. Escreveu de novo: "Tô passando mal." Apagou. Escreveu: "Você pode ir pra casa mais cedo hoje?"
Enviou.
Ela respondeu em segundos: "Já tô saindo. Quer que eu passe em algum lugar?"
Ele sorriu, aliviado. "Não. Só vem."
Em casa, eles sentaram na mesa da cozinha. Luísa não perguntou nada antes. Só colocou a água pra ferver e esperou.
— Não tô dormindo — Carlos disse. — E não sei por quê.
— Tem tentado alguma coisa?
— Tudo que eu sei. Mas não passa.
— Você quer ir num médico?
— Acho que sim. Mas sozinho…
— Não precisa ir sozinho. Eu vou com você.
Ele sentiu o nó na garganta.
— Obrigado.
— Não agradece. A gente pede ajuda pra não carregar sozinho.
Ele respirou. Pela primeira vez em dias, sentiu que o peito desapertou um pouco. Pedir ajuda tinha sido a parte mais difícil. Depois que passou, o resto ficou mais leve.
*Continua em: 380 — Luísa — Como oferecer ajuda emocional?*