O evento de design era anual. Luísa estava no coquetel de abertura, com um crachá pendurado no pescoço e uma taça de espumante na mão. Conhecidos espalhados pelo salão, rostos novos, aquele burburinho de gente que trabalha com criatividade.
Ela encontrou uma conhecida da faculdade, a Renata. As duas trocaram abraços, perguntaram sobre a vida, sobre o trabalho. Depois de três minutos, a conversa começou a morrer.
— E aí, tudo bem? — Renata perguntou.
— Tudo. E você?
— Tudo também.
Silêncio.
Luísa sentiu aquele momento em que a conversa desaba e ninguém sabe como segurar. Ela olhou em volta.
— Você viu a palestra da abertura? — ela perguntou.
— Vi. Gostei da parte sobre inteligência artificial.
— Pois é. Eu fiquei pensando como aquilo se aplica no nosso dia a dia. No estúdio, a gente tá começando a usar ferramentas de IA pra agilizar briefing.
— Sério? Funciona?
E a conversa reacendeu. Luísa não precisou de um assunto genial. Só pegou o que já estava ali — o evento, a palestra — e puxou um fio.
Mais tarde, no banheiro, ela encontrou uma moça mais nova, estagiária de uma agência. A moça parecia perdida, mexendo no celular no canto.
Luísa guardou a mão na bolsa.
— Primeira vez aqui? — perguntou.
— É. Tô meio perdida.
— Normal. Na minha primeira vez, passei a noite inteira sem falar com ninguém.
A moça riu.
— Qual dica você daria?
— Pergunta sobre o trabalho da pessoa. Todo mundo gosta de falar do que faz. Depois, puxa um gancho com algo que você também conhece. Não precisa ser especialista. Só curioso.
— Curioso?
— É. Conversa boa não é sobre ter resposta. É sobre querer saber.
A moça guardou o celular e foi tentar. Luísa ficou olhando. Conversa interessante não é sobre o assunto. É sobre o interesse genuíno.
*Continua em: 375 — Carlos — Como se comportar em um jantar formal?*