Como fazer um elogio pessoal?

Luísa

A festa de casamento da prima tinha sido bonita. Mas o que ficou na cabeça de Luísa não foi a cerimônia, nem o bufê, nem a música. Foi o que uma tia distante disse pra ela no meio do salão.

— Você está linda, menina! Emagreceu?

Luísa sorriu e agradeceu, mas a pergunta ficou ecoando. Ela não tinha emagrecido. E aquilo não era um elogio pessoal. Era um comentário sobre o corpo dela, disfarçado de carinho.

No dia seguinte, no estúdio, ela comentou com Camila.

— Por que as pessoas acham que elogiar é sempre falar da aparência?

— Porque é mais fácil — Camila respondeu. — Olhou, comentou. Não exige esforço.

— E elogio pessoal?

— Exige reparar.

Luísa pensou na mãe dela, Dona Margô. A mãe nunca dizia "você tá bonita". Ela dizia "gostei do jeito que você conduziu aquela conversa". Ou "você foi gentil com a moça do mercado". Eram elogios que não falavam do corpo. Falavam de quem ela era.

— Como a gente aprende a fazer isso?

— Prestando atenção — Camila disse. — Na próxima vez que você quiser elogiar alguém, repara no que a pessoa fez, não no que ela parece.

Na semana seguinte, Luísa foi buscar Pedro na escola. Ele estava sentado num banco perto do portão, desenhando num caderno. Quando ela chegou perto, ele mostrou o desenho: um foguete passando por um planeta azul.

— Gostei — Luísa disse. Mas parou. Reformulou.

— O traço que você fez no foguete, esse movimento, parece que ele tá realmente subindo. Você tem habilidade pra desenhar movimento.

Pedro olhou pro desenho. Depois pra ela.

— Sério?

— Sério.

Ele sorriu de um jeito diferente. Não era o sorriso de quem recebeu um "bonito". Era de quem foi visto.

Luísa entendeu ali. Elogio pessoal não precisa de técnica. Precisa de atenção.

*Continua em: 371 — Carlos — Como elogiar um homem sem parecer estranho?*