O relatório tinha dado certo. O Carlos aprovou, a diretoria gostou, e o projeto que estava emperrado há duas semanas finalmente andou. Na saída, o chefe chamou Carlos no canto.
— Boa apresentação hoje — Carlos disse. — Direto, objetivo. Gostei.
Carlos sentiu o peito expandir. Mas na hora de responder, travou.
— É… obrigado. O pessoal ajudou.
— Você que fez. Pode aceitar.
— É que…
— Não precisa se encolher. Receber elogio também é profissional.
Carlos virou e foi embora. Carlos ficou parado no corredor, sem saber direito o que fazer com aquilo.
Em casa, ele contou pra Luísa. Ela estava na cozinha, preparando o jantar.
— O Carlos me elogiou hoje.
— E você respondeu o quê?
— Falei que o pessoal ajudou.
— E ele?
— Falou que eu não precisava me encolher.
Luísa parou de mexer a panela.
— Ele tem razão. Você sempre desconversa quando recebe elogio.
— Porque parece que se eu aceitar, tô me achando.
— Aceitar não é se achar. É reconhecer. E você pode retribuir sem diminuir seu mérito.
— Como?
— Em vez de falar "qualquer coisa", fala "obrigado, fico feliz que você reparou". Depois, se quiser, puxa um elogio pra pessoa também.
— Tipo?
— Tipo… "e obrigado pelo apoio na reunião. Sem você ter endossado, não teria o mesmo peso."
Carlos repetiu a frase na cabeça. Soava natural.
— Isso não é puxar saco?
— É reconhecimento. Igual ao que ele fez com você.
No dia seguinte, Carlos passou na sala do Carlos antes do almoço.
— Carlos, sobre ontem. Obrigado pelo feedback.
— Foi a verdade.
— Eu sei. E queria agradecer também pelo apoio na reunião. Você endossar meu ponto na frente da diretoria fez diferença.
Carlos inclinou a cabeça, os óculos refletindo a luz da tela.
— Tô aqui pra isso. Bom trabalho.
Carlos saiu da sala com a sensação de que a conversa tinha fechado um ciclo. Não precisava se encolher. Só agradecer, reconhecer e seguir.
*Continua em: 370 — Luísa — Como fazer um elogio pessoal?*