Como receber um elogio sem constrangimento?

Luísa

A reunião tinha acabado fazia dez minutos. Luísa estava na mesa do estúdio, organizando os arquivos, quando entrou o e-mail do cliente.

"Luísa, o material ficou excelente. Melhor do que imaginávamos. Parabéns pelo trabalho."

Ela leu duas vezes. Sentiu um calor subir pelo rosto. Fechou o e-mail rapidamente.

— Boa notícia? — Camila perguntou sem tirar os olhos do monitor.

— O cliente gostou.

— Só isso?

— Mandou um e-mail dizendo que ficou bom.

— E você respondeu?

— Ainda não.

— Por quê?

Luísa apoiou a cabeça nas mãos.

— Não sei o que escrever.

— "Obrigada, fico feliz que gostaram" — Camila disse, como se fosse óbvio.

— Parece pouco.

— É o suficiente.

Luísa pensou nas vezes em que recebeu elogio e desconversou. "Ah, foi nada." "Qualquer coisa." "A equipe toda ajudou." Sempre diminuindo, como se aceitar o elogio fosse uma arrogância.

— Por que é tão difícil só falar "obrigada"? — ela perguntou.

— Porque a gente acha que aceitar elogio é se gabar. Mas não é.

— Então o que é?

— É reconhecer que você fez algo bom. E deixar o outro feliz por ter percebido.

Luísa abriu o e-mail de novo. Leu o texto mais uma vez. Depois escreveu:

"Obrigada, fico feliz que tenha atendido ao que vocês buscavam. Foi um prazo apertado, mas valeu a pena."

Ela clicou em enviar.

— Pronto — disse.

— Foi difícil?

— Foi. Mas passou.

— É sempre assim. A primeira vez é estranha. Depois vira costume.

Luísa fechou o notebook. O elogio ainda ecoava. Mas agora ela não precisava diminuir ele. Só aceitar.

*Continua em: 369 — Carlos — Como retribuir um elogio?*