O celular vibrou em cima da mesa do estúdio. Era Carlos: \"Chego em casa 19h.\"
Luísa olhou a mensagem e sentiu o peso. Ela tinha apagado o arquivo errado do servidor. Não o original — ela tinha backup. Mas perdeu o trabalho de uma tarde. E culpou o estagiário.
— Falei com ele — ela disse, virando o monitor.
Camila tirou os óculos.
— Falou o quê?
— Que o arquivo sumiu. Que ele tinha mexido na pasta errada.
— E foi ele?
Luísa apertou os lábios.
— Foi... não. Fui eu. Eu tava com pressa, arrastei pra lixeira sem querer.
— E você culpou o menino?
— Falei que \"talvez\" tivesse sido ele. Não foi uma acusação, foi uma...
— Foi uma acusação — Camila completou. — Mesmo que educada.
Luísa passou a mão no cabelo. Olhou pela janela. O sol da tarde entrava em risco no chão do estúdio.
— Tenho que falar com ele.
— Antes de ir embora.
— Antes de ir embora.
Ela levantou e foi até a mesa do estagiário. Ele estava com fone, mexendo num layout. Ela tocou no ombro dele. Ele tirou o fone.
— Sobre o arquivo de ontem — ela disse. — Fui eu que apaguei.
Ele piscou.
— Como assim?
— Eu tava com pressa, movi o arquivo errado pra lixeira. E aí, quando percebi o erro, falei que podia ter sido você. Não foi justo.
O menino endireitou o corpo na cadeira.
— Ah... tá.
— Desculpa. Não vou fazer de novo.
Ele deu um sorriso meio sem jeito.
— Okay. Obrigado por falar.
Luísa voltou pra mesa. O ar parecia mais leve, mas ainda tinha um gosto amargo na boca. Ela abriu a janela pro vento entrar.
*Continua em: livreto-355.md — Carlos — Como pedir desculpas quando você não está errado*