O escritório estava vazio quando Carlos chegou na segunda-feira. Ele colocou a mochila na cadeira, ligou o computador, e ficou olhando a tela de login sem digitar a senha.
O fim de semana tinha sido pesado. Ele tinha sido grosso com a Luísa na sexta — uma discussão besta sobre conta de luz que virou briga de verdade. Ele falou coisas que não devia. Ela foi dormir sem dar beijo de boa noite, o que não acontecia desde o primeiro ano de namoro.
Eles se acertaram no sábado. Ela disse que estava tudo bem. Mas Carlos não conseguia soltar.
— Ainda está pensando na briga? — Carlos perguntou, passando pela mesa com uma pasta na mão.
Carlos levantou a cabeça.
— É.
— Resolveu?
— Ela disse que tá tudo bem.
— E você? Tá tudo bem?
Carlos ficou em silêncio. A mão dele estava parada em cima do mouse.
— Não consigo parar de pensar que eu fui um idiota.
Carlos parou e virou o corpo para ele.
— A culpa não vai consertar nada. O que vai consertar é você não fazer de novo.
— E como eu sei que não vou fazer de novo?
— Você vai lembrar desse fim de semana. Do silêncio dela. Do nó no seu estômago. — Carlos ajustou os óculos. — Isso é o bastante.
Carlos seguiu andando. Carlos ficou sentado, a mão ainda no mouse. Ele respirou fundo, sentiu o ar encher o peito, e digitou a senha. A tela acendeu. Ele ia ligar pra Luísa no almoço e dizer que o sentimento do fim de semana não passou — que ele queria ter certeza de que ela sabia que ele sabia que tinha errado.
*Continua em: livreto-354.md — Luísa — Como confessar um erro*