Como pedir desculpas por um erro grave?

Luísa

A noite estava silenciosa no apartamento. Carlos estava sentado na beira da cama, as mãos nos joelhos, o olhar perdido na parede.

Luísa ficou na porta do quarto.

— Carlos.

Ele não respondeu.

— Eu errei — ela disse. — E não foi um erro pequeno.

O que ela tinha feito — ter cancelado o jantar com a família dele sem avisar, inventando uma desculpa para não encarar a tensão que estava sentindo com a Dona Lúcia — parecia distante agora. Uma hora antes, parecia justificável. Agora, na frente do silêncio dele, parecia o que era: uma covardia.

— Eu devia ter te falado a verdade. Devia ter dito que não tava preparada pro jantar. Em vez disso, menti, deixei você esperando, e você teve que ligar pra sua mãe e inventar uma desculpa sozinho.

Carlos não virou o rosto. Ela viu o maxilar dele contrair.

— O que eu fiz foi errado — ela continuou. — E não tem justificativa. Só quero que você saiba que eu reconheço.

Ela sentou ao lado dele na cama. O colchão cedeu com o peso. Os dois ficaram olhando para a frente.

— Você quer que eu vá dormir no sofá? — ela perguntou, baixo.

Carlos balançou a cabeça.

— Quero que você não minta mais.

— Não vou.

Ele virou o rosto. Os olhos dele estavam vermelhos.

— Janta amanhã com a minha mãe — ele disse. — De novo.

— Vou.

— E não precisa fingir que tá bem se não tiver. Só vai.

Ela apertou a mão dele.

— Tá bom.

*Continua em: livreto-353.md — Carlos — Como lidar com a culpa*