Era aniversário do Carlos. Luísa colocou uma caixa na frente dele durante o café da manhã. A caixa era quadrada, papel kraft, uma fita de algodão cru amarrada em volta.
— O que é isso?
— Abre.
Carlos desfez o laço devagar. A fita deslizou. Ele levantou a tampa e viu um caderno de capa dura, marrom escuro, com a textura de couro. Gravado no canto inferior: \"C.E. — 2026\".
Ele passou o dedo na superfície. Sentiu o relevo das letras.
— Lu — ele disse.
— Você falou mês passado que queria voltar a escrever. Que sentia falta do caderno de ideias.
Ele abriu o caderno. As páginas eram creme, lisas, cheiro de papel novo. Ele fechou e olhou pra Luísa. Ela estava com a caneca de café na mão, os olhos verdes atentos.
— É o melhor presente que alguém já me deu — ele falou.
Ela sorriu. Ele não disse \"você não devia\" nem \"foi caro?\". Só segurou o caderno contra o peito.
— Vou usar pra escrever tudo que eu não consigo falar.
— Se for pra eu ler depois, melhor ainda — ela brincou.
Ele riu e colocou o caderno no criado-mudo, do lado da cama. A luz da manhã entrava pela cortina e iluminava a capa marrom.
*Continua em: livreto-350.md — Luísa — Como dar um presente*