Como ser um bom convidado?

Luísa

Luísa chegou na casa da Dona Margô com uma sacola de pão de queijo e um pote de geleia de laranja. A mãe abriu a porta de avental, o cheiro de café passado vindo da cozinha.

— Filha, você não precisava trazer nada — Dona Margô disse.

— Sei que não. Mas eu quis.

Luísa colocou a sacola na bancada da cozinha, do lado da garrafa térmica. A cozinha da mãe tinha sempre um arranjo de flores na mesa — hoje eram margaridas amarelas num vaso de cerâmica.

— Posso ajudar em alguma coisa?

— Já está tudo pronto. Só senta.

Mas Luísa não sentou. Ela abriu o armário onde a mãe guardava os pires, pegou os que combinavam com as xícaras, e começou a arrumar a mesa. Dona Margô olhou de lado, mas não disse nada.

Enquanto colocava os guardanapos, Luísa reparou que a planta na janela estava com folhas amareladas.

— Mãe, sua samambaia está pedindo água.

— Ah, eu ando esquecendo.

— Eu rego antes de ir.

O café durou uma hora. Luísa não olhou o celular nenhuma vez. Ela ouviu a mãe contar da vizinha, do grupo de leitura, da última consulta no médico. Quando terminou, lavou a xícara e o pires, colocou no escorredor, regou a samambaia.

Na porta, Dona Margô segurou a mão dela.

— Obrigada pela visita.

— Obrigada pelo café.

— Não — a mãe disse. — Obrigada por ter vindo inteira.

Luísa sorriu e desceu as escadas. O sol da tarde batia no rosto e ela sentiu o dia mais leve.

*Continua em: livreto-349.md — Carlos — Como agradecer um presente*