O almoço no sábado era na casa da Dona Lúcia. Arroz, feijão, frango assado, farofa. A mesa cheia. Beto do lado, Clarinha no canto, Luísa ao lado do Carlos.
Beto contou uma história do trabalho, todo mundo riu, e Carlos sentiu vontade de entrar também. Ele lembrou de uma piada que um colega contou no escritório.
— Essa me lembrou de uma — Carlos disse. — O que o zero disse pro oito?
Belo suspense. Beto ergueu a sobrancelha.
— O que?
— \"Belo cinto.\"
Clarinha riu, Beto sorriu, Dona Lúcia balançou a cabeça. Leve.
— Ah, é besta — Beto disse.
— Piada besta é a melhor — Carlos respondeu.
Ele ia contar outra — uma sobre um programador e um cliente — quando parou. Lembrou que a piada tinha uma parte que fazia graça com a pessoa que não entende de tecnologia, chamando de leiga de um jeito meio arrogante.
Ele olhou pra Dona Lúcia, que mexia o feijão no prato. Olhou pra Clarinha, que estava no segundo ano de faculdade. Nenhuma delas ia se ofender. Mas a piada não era sobre elas. Era sobre um tipo de pessoa.
— Mais uma? — Beto provocou.
— Não — Carlos respondeu. — Fica pra próxima.
— Por que? Essa foi sem graça?
— Não. Mas a que eu ia contar... não ia ser engraçada pra todo mundo.
Beto não entendeu. Luísa, que estava do lado, passou a mão no braço do Carlos. Uma pressão leve. Um reconhecimento silencioso.
*Continua em: livreto-348.md — Luísa — Como ser um bom convidado*