Como se impor sem ser agressivo?

Luísa

O telefone tocou na hora do almoço. Luísa atendeu com a boca cheia de sanduíche.

— Luísa, aqui é o Rafael, da gráfica. O prazo do cartaz...

— O que tem?

— Não vai dar. A máquina quebrou, a gente precisa de mais dois dias.

Luísa colocou o sanduíche no prato. Respirou fundo. Sentiu a raiva vindo de baixo, do fundo do estômago, subindo rápido.

— Rafael, a gente combinou essa data há três semanas — ela disse. A voz veio mais tensa do que ela queria.

— Eu sei, mas não tem o que fazer.

Ela ficou em silêncio. Segurou o telefone mais firme. O sanduíche no prato esperava.

— Eu entendo que a máquina quebrou — ela disse, mais devagar. — Isso não é culpa sua. Mas eu também tenho um cliente que contratou o serviço com base nessa data.

— E o que a gente faz?

Luísa levantou e foi até a janela do estúdio. Lá fora, o sol batia no asfalto. Ela pensou enquanto olhava os carros passando.

— Qual o máximo que vocês conseguem acelerar? — ela perguntou.

— Se eu priorizar seu job, amanhã no fim do dia sai.

— Então faz assim. Entrega amanhã no fim do dia. Mas eu preciso que você me mande um e-mail confirmando o novo prazo.

— Pode deixar.

— E Rafael — ela completou. — Da próxima vez, me avisa antes do prazo estourar. Pra gente poder se organizar.

— Combinado.

Ela desligou e voltou para a mesa. O sanduíche ainda estava lá. Ela deu uma mordida e sentiu o gosto de pão e maionese. Camila, da outra mesa, olhou por cima do monitor.

— Você foi braba, mas foi educada — Camila disse.

— Não fui braba — Luísa respondeu. — Só fui firme.

*Continua em: livreto-347.md — Carlos — Como contar uma piada sem ofender*