O monitor do estúdio mostrava a arte finalizada — um cartaz para uma feira cultural, tipografia manual, ilustração em traço contínuo. Luísa tinha passado a tarde inteira ajustando o kerning.
— Lu, olha isso — Camila disse do outro lado da mesa, empurrando o celular na direção dela.
— O quê?
— O e-mail do cliente. Lê.
Luísa pegou o celular. Leu. O cliente escreveu que o material estava \"impecável\", que ela tinha entendido o briefing melhor que qualquer outro profissional que ele já tinha contratado.
Ela colocou o celular de volta na mesa.
— Ele gostou — disse, e virou para o monitor.
— Só isso? — Camila ergueu as sobrancelhas. — O cara te chamou de gênia.
— É o trabalho dele elogiar quando fica bom.
Camila apoiou o queixo na mão e ficou olhando.
— Sabe qual é o seu problema? Você não aceita elogio.
— Aceito.
— Não aceita. Você desconversa. Desvia. Minimiza.
Luísa parou de mexer no mouse. A mão dela ficou imóvel sobre a mesa. Ela pensou no que a mãe falava: \"Você puxou a mim. Também não sabia receber um elogio.\"
— Tudo bem — ela disse depois de um silêncio. — Volta lá. Me manda de novo o e-mail.
Camila enviou.
Luísa leu o e-mail de novo. Dessa vez, em vez de fechar a tela, ela deixou o texto na frente dela. Leu cada linha. Depois levantou os olhos para Camila.
— Obrigada por me mostrar — ela disse, a voz mais baixa. — Ficou bom mesmo. Eu trabalhei duro nesse.
Camila sorriu sem dizer nada, e Luísa voltou ao trabalho. O elogio ficou com ela o resto da tarde.
*Continua em: livreto-345.md — Carlos — Como reagir a uma ofensa*