O convite chegou na sexta, no fim do expediente. Um colega do trabalho apareceu na mesa do Carlos com o celular na mão.
— Sábado, churras na minha casa. Vai ter cerveja, carne, futebol. Vai?
Carlos olhou pro celular, depois pro colega. A semana tinha sido puxada. A única coisa que ele queria no sábado era ficar em casa, de bermuda, no sofá, com o Toby do lado e a Luísa fazendo companhia.
— Ah, cara... — ele começou.
— Vai sim, vai ser bom.
— Na real, não vai dar.
O colega fez uma careta.
— Qual é, cara. Você nunca vai.
— Eu sei. É que tô precisando de um sábado em casa.
— Você sempre precisa de sábado em casa.
A conversa estava ficando desconfortável. Carlos sentiu a pressão no peito. O colega esperava, o celular ainda na mão.
— Desculpa, mas não vai dar dessa vez. De verdade. Tô exausto.
O colega abaixou o celular.
— Tá bom, tudo bem. Outra hora.
— Combinado.
O colega foi embora. Carlos apoiou as costas na cadeira. A chuva fina começava a bater na janela do escritório.
Mais tarde, na cozinha de casa, ele contou pra Luísa.
— Ele insistiu um pouco.
— E você?
— Falei não de novo.
— E como foi?
— Estranho. Mas não tão difícil quanto eu imaginava.
Luísa colocou o prato de macarrão na frente dele.
— Você não precisa de desculpa elaborada. "Não vai dar" já é resposta completa.
— É. Aprendi isso hoje.
Ele comeu o macarrão com calma. Na sala, o Toby já estava deitado no tapete, esperando o sábado chegar.
*Continua em: livreto-340.md — Luísa — Como pedir desculpas depois de uma briga?*