Como lidar com nora ou genro que não gosta de você?

Carlos

O churrasco na casa do Beto estava no auge quando Carlos se encostou no balcão da cozinha, um copo de refrigerante na mão. A casa estava cheia. Crianças correndo no quintal, som de samba na caixa de som, cheiro de carne na churrasqueira.

Beto virou com a espátula na mão, a cara vermelha do calor da brasa.

— Cansado? — Carlos perguntou.

— Braço tá moído.

— Serve mais um?

— Serve.

Carlos pegou outro copo e encheu de refrigerante. Foi quando ele reparou na moça loira sentada no canto da mesa, o prato intacto na frente dela, o celular na mão.

— Quem é? — Carlos perguntou baixo.

— Namorada do Matheus.

— A atual?

— A mesma. Ela não veio no aniversário.

Carlos observou a moça. Ela não falava com ninguém. Não pegou comida. Toda vez que alguém sentava perto, ela dava um sorriso curto e voltava pro celular.

— Ela não parece muito à vontade — Carlos disse.

— Ela nunca fica. Ela não gosta de mim. Acha que eu fui duro com o Matheus no ano passado.

— Você foi duro.

— Fui porque precisava. Mas ela não aceita.

Carlos ficou em silêncio, o gelo tilintando no copo. Ele olhou pro quintal, onde o Matheus ria com os primos. Depois olhou pra moça de novo.

— O que você já tentou? — ele perguntou.

— Convidei pro churrasco. Ela veio. Mas não sai do celular.

— Convite é começo. Mas ela precisa de mais.

Carlos pensou na Luísa e no começo. Não foi fácil com a Dona Lúcia também. Levou tempo. Levou uma caixa de ervas.

— Chama ela pra ajudar com alguma coisa — ele disse.

— Tipo o quê?

— Sei lá. Pede pra ela temperar a carne. Ou cortar o pão de alho. Qualquer coisa que faça ela sentir que é bem-vinda.

Beto franziu a testa, mas depois de um minuto, ele foi até a mesa.

— Luana, cê me ajuda a temperar a picanha? A receita é nova, não sei se acertei o sal.

A moça levantou a cabeça do celular. Hesitou. Depois deixou o celular na mesa e foi atrás do Beto até a churrasqueira.

Carlos ficou no balcão. Viu Beto entregar o pote de tempero pra ela. Viu ela provar com o dedo. Viu os dois rirem de alguma coisa.

Não resolveu tudo. Mas resolveu o primeiro passo.

*Continua em: livreto-328.md — Luísa — Como ajudar um sobrinho com os estudos?*