Como interagir em uma festa corporativa?

Carlos

O salão do restaurante estava lotado. Mesas redondas com toalhas brancas, música ambiente, garçons circulando com bandejas de salgadinhos. A confraternização da Transportadora América era o evento mais formal do ano.

— Relaxa, parece velório — o Léo, colega de trabalho, disse.

— É que não sei o que falar com o pessoal de outros setores.

— Fala do tempo.

— Sério?

— Ou do trânsito. Brasileiro adora reclamar de trânsito.

Carlos riu, nervoso. Ele odiava esse tipo de evento. Misturar trabalho com social era um campo minado. Falar do assunto errado, contar uma piada infeliz, ser informal demais com o chefe.

O Carlos Mendes, gerente dele, estava perto do bar, conversando com um dos diretores. Carlos pensou em ir cumprimentar, mas desistiu.

— Vai lá — o Léo cutucou.

— Depois.

— Agora. Enquanto ele tá sozinho.

Carlos respirou e foi. Parou perto do Carlos quando ele ficou sozinho no bar.

— Boa noite, Carlos.

— Carlos. Tudo bem?

— Tudo. Festa legal.

— É. A empresa capricha no fim de ano.

— É.

Silêncio. Carlos pensou no conselho do Léo. Trânsito. Mas pareceu superficial.

— O senhor vai viajar no fim de ano?

— Vou. Pra casa da irmã, no interior.

— Legal. Minha sogra é professora, se aposentou ano passado. Tava contando os dias pra viajar também.

Carlos sorriu. — Professor aposentado merece descanso.

— Merece.

A conversa continuou por mais alguns minutos. Carlos falou pouco, ouviu mais. Descobriu que o Carlos gostava de pescar. No fim, apertou a mão do chefe e voltou pra mesa.

— Conseguiu? — o Léo perguntou.

— Consegui. Falei da sogra.

— Da sogra?

— Funcionou.

O Léo riu e bateu no ombro dele. Carlos pegou um salgadinho da bandeja e comeu. Não tinha sido tão difícil.

*Continua em: 322 — Luísa — Lidar com conflitos familiares durante festas*