Luísa estava sentada na ponta do sofá, um copo de refrigerante na mão, observando as pessoas dançarem. Ela conhecia a aniversariante — uma cliente do estúdio — mas não conhecia quase ninguém na sala.
— Deslocada — ela murmurou.
Ela sempre achava que ia se sentir bem em festas. Mas tinha vezes que simplesmente não encaixava. Todo mundo parecia se conhecer, rir de piadas internas, formar grupos naturais. Ela ficava de fora.
— Não vou ficar o tempo todo assim — ela falou, baixinho.
Ela se levantou e foi até a mesa de comida. Não porque estivesse com fome, mas porque mesa de comida era sempre um ponto neutro. Enquanto pegava um salgadinho, uma moça parou do lado.
— Você sabe se esses salgadinhos são de quê? — a moça perguntou.
— Não sei. Mas o de queijo tá bom.
— Já provei?
— Ainda não.
A moça pegou um, mordeu e concordou. — É de queijo mesmo.
— Eu sou a Luísa.
— Carol.
— Você é amiga da aniversariante?
— Prima.
— Eu sou cliente. Do trabalho.
— Ah, legal! Ela falou de você. Disse que você é designer.
— Sou. E você?
— Professora.
A conversa continuou. Luísa descobriu que a Carol também morava no bairro. Em dez minutos, a sensação de deslocamento sumiu.
Mais tarde, ela encontrou a Carol na varanda.
— Gostei de conhecer você — a Carol disse.
— Também. A gente se vê por aí.
— Claro.
Luísa voltou pra sala e percebeu que não estava mais deslocada. Só tinha precisado de um salgadinho e uma pergunta.
*Continua em: 321 — Carlos — Interagir em festa corporativa*