Carlos parou o carro na frente do endereço e desligou o motor. A música abafada saía da casa. Luzes coloridas piscavam na janela. Ele olhou pro celular — a Luísa tinha ficado em casa, gripada.
— Sozinho — ele murmurou.
Ele sempre chegava com ela. Ela puxava conversa, cumprimentava, fazia a transição. Agora ele estava ali, no carro, as mãos no volante, pensando em dar ré e ir embora.
O celular vibrou.
*"Já chegou?"* — Luísa.
*"To no carro."*
*"Sai do carro."*
*"To pensando."*
*"Sai do carro E anda. Se ficar pensando, não entra nunca."*
Ele respirou fundo. Guardou o celular no bolso, abriu a porta e saiu.
A rua estava tranquila. Ele andou até o portão, cumprimentou um casal que entrava na frente. Eles nem perceberam que ele estava sozinho.
Lá dentro, ele foi direto pra cozinha. Sempre mais fácil. Pegou um copo de água, observou o ambiente. Conhecia algumas caras. Um colega do trabalho estava na varanda.
— E aí, Carlos! Chegou sozinho?
— É, a Luísa ficou gripada.
— Puts. Senta aqui.
Carlos sentou. O colega apresentou os amigos. Em cinco minutos, ele já estava conversando sobre séries e futebol.
O celular vibrou de novo.
*"E aí?"* — Luísa.
*"To na varanda, conversando."*
*"Viu? Foi rápido."*
*"Ainda tô meio deslocado, mas passou."*
*"É normal no começo. Depois de meia hora, você relaxa."*
Ele apoiou o celular na mesa e pegou o copo. Meia hora. Ele conseguia.
*Continua em: 320 — Luísa — Não se sentir deslocado em festa*