Como se despedir em uma festa?

Luísa

Eram onze e meia da noite. A festa do primo do Carlos ainda estava animada, mas Luísa já sentia o cansaço nos olhos. Ela queria ir embora — mas se despedir sempre parecia um ritual complicado. Se fosse rápida, parecia que estava fugindo. Se demorasse, nunca mais saía.

— Vamos? — ela perguntou baixinho pro Carlos.

— Vamos. Mas precisa se despedir.

— Toda vez é um parto.

— É só falar. E ir.

Luísa respirou e foi até Dona Lúcia, que estava na cozinha conversando com a irmã.

— Dona Lúcia, a gente vai indo.

— Já? Tão cedo!

— Tô cansada. Mas a festa tá linda.

— Trouxe um pouco de bolo?

— Pode deixar.

Dona Lúcia embrulhou um pedaço de bolo num guardanapo e entregou.

— Obrigada.

Luísa beijou a sogra e foi até o primo aniversariante, que estava na sala jogando conversa fora.

— Primo, parabéns de novo. A festa foi ótima. Vou nessa.

— Valeu! Vem mais vezes!

— Vou sim.

Ela passou pelo Seu Antônio, que estava na varanda com um copo de cerveja.

— Seu Antônio, boa noite.

— Vai embora, menina?

— Vou. Cansaço.

— Dorme bem.

— Obrigada.

Ela encontrou o Carlos na porta, já com a chave do carro na mão.

— Conseguiu? — ele perguntou.

— Consegui. Três despedidas em três minutos.

— Rápido.

— É que aprendi uma coisa.

— O quê?

— Se despedir não precisa ser um evento. É só falar a verdade e ir.

Ele abriu a porta do carro. Ela sentou, apoiou a cabeça no banco e sentiu o cheiro de bolo no colo.

— Foi boa a festa.

— Foi.

— Mas cama é melhor.

— Muito melhor.

*Continua em: 319 — Carlos — Chegar em uma festa sozinho*