Luísa estava na festa de casamento de uma amiga do trabalho. O salão estava cheio, a música tocando, e ela tinha acabado de sentar na mesa depois de pegar um copo de água. Do lado dela, uma mulher mexia no celular, o mesmo ar de quem não conhecia ninguém.
Luísa pensou em puxar conversa. Mas não sabia por onde começar. Parecia invasivo. E se a mulher não quisesse conversar?
Ela pegou o copo. A mulher ao lado também pegou o copo. Os copos bateram de leve.
— Desculpa — as duas disseram ao mesmo tempo.
As duas riram.
— Foi mal — Luísa disse.
— Não, foi mal — a mulher respondeu. — É que sou meio desastrada.
— Também. — Luísa apontou pro vestido da mulher. — Bonito vestido.
— Obrigada! Comprei numa lojinha no Centro. Você é amiga da noiva ou do noivo?
— Da noiva. Conheço ela do trabalho.
— Eu sou irmã do noivo. Prazer, Marina.
— Luísa.
Elas apertaram as mãos por cima da mesa.
— Você veio sozinha? — a Marina perguntou.
— Não, vim com meu namorado. Mas ele foi pegar mais bebida e sumiu.
— Clássico.
— É. E você?
— Vim com meu irmão. Mas ele tá na pista de dança pagando mico.
Luísa riu. A conversa fluiu naturalmente. Ela descobriu que a Marina era designer também — trabalhava com branding. Trocaram contato.
Quando Carlos voltou com as bebidas, Luísa estava rindo de uma história da Marina.
— Achou amiga? — ele perguntou, sentando.
— Achei. E designer, ainda.
— Sorte a sua.
— Sorte. Mas eu só comecei porque bati o copo nela.
— Talvez você precise bater mais copos.
— Talvez.
*Continua em: 317 — Carlos — Encerrar conversa em evento*