Como se enturmar em uma festa?

Carlos

Carlos estava no canto da sala segurando um copo de refrigerante. A festa era da prima da Luísa, e ele não conhecia quase ninguém. As pessoas conversavam em grupos, riam, e ele estava ali, parado, olhando pro celular sem nada pra ver.

— Tá sobrevivendo? — Luísa apareceu do lado.

— Tô.

— Tá no celular.

— É que não conheço ninguém.

— Por isso mesmo. Guarda o celular e presta atenção no que tão falando.

— Como assim?

— Escuta. Alguém vai falar de algo que você conhece. Aí você entra.

Carlos guardou o celular no bolso. Olhou em volta. Um grupo perto da mesa de doces falava sobre séries. Outro na varanda falava de viagem. Um cara perto da churrasqueira falava de futebol.

Ele foi pra churrasqueira.

— Beleza — ele disse, parando perto.

— Beleza — o cara respondeu, virando a carne. — Torce pra quem?

— Não torço muito. Mas gosto de futebol.

— Então chega mais. Segura essa espátula.

Carlos pegou a espátula e virou um pedaço de picanha. O cara riu.

— Já sabe o básico. Fica aqui.

Carlos ficou. Enquanto virava a carne, conversava. Descobriu que o cara era primo da Luísa, morava no mesmo bairro, trabalhava com logística — como ele.

— Olha só, vizinho de bairro e de profissão.

— Pois é.

No fim da festa, Carlos já tinha comido, bebido e trocado telefone com o primo. Luísa apareceu na saída.

— E aí, se enturmou?

— Virei churrasqueiro.

— Viu? É só achar um ponto de entrada.

— Achando o futebol.

— Ou a comida. A comida sempre funciona.

*Continua em: 316 — Luísa — Iniciar conversa em evento social*