Luísa olhou pro grupo da família no WhatsApp. O almoço de domingo estava marcado, mas ninguém tinha dito quem levava o quê. Ela sabia como funcionava: todo mundo levava a mesma coisa e ninguém levava o essencial.
— Sempre a mesma história — ela murmurou.
— O quê? — Carlos perguntou, mexendo no celular ao lado.
— Almoço de domingo. Vão vir três travessas de arroz, duas de farofa, e ninguém vai trazer carne.
— É.
— E a Tia Sônia vai reclamar que todo mundo combinou errado.
— Então combina certo.
— Se eu falar "fulano traz isso", a pessoa pode achar que eu estou mandando.
Carlos largou o celular. — Você não manda. Você sugere.
— Como?
— Pergunta: "Você pode trazer X ou prefere Y?". A pessoa escolhe. Não é ordem. É acordo.
Luísa pegou o celular e abriu o grupo.
*"Pessoal, vamos definir o que cada um leva no domingo pra não repetir. Respondam aqui:*
*- Carne: ?*
*- Arroz: ?*
*- Farofa: ?*
*- Bebida: ?*
*- Sobremesa: ?*
*Quem preferir trazer outra coisa, é só falar."*
Em dez minutos, as respostas apareceram.
*"Pego a carne."* — Tio João.
*"Arroz e farofa."* — Tia Sônia.
*"Bebida."* — Primo Lucas.
*"Sobremesa."* — Dona Lúcia.
— Fechou — Luísa disse, mostrando o celular pro Carlos.
— Agora só falta cozinhar.
— Isso é com eles.
No domingo, a mesa estava completa: carne, arroz, farofa, refrigerante, bolo de chocolate. Ninguém levou a mesma coisa. A Tia Sônia chegou e olhou a mesa.
— Olha só, combinou direitinho.
— É, deu certo.
Luísa serviu o arroz e pensou que a chave era convidar, não convocar.
*Continua em: 315 — Carlos — Se enturmar em uma festa*