O grupo do WhatsApp estava silencioso há três dias. Carlos olhou pra última mensagem: *"Então, galera, vamos fazer o churrasco ou não?"* — enviada por ele. Ninguém respondeu.
— O problema é dinheiro — ele disse, virando o celular pra Luísa.
— Todo mundo quer, ninguém quer pagar.
— Exato.
— Faz uma vaquinha.
— Como?
— Abre uma lista. Fala quanto vai custar cada coisa e divide. Cada um paga o que consome. Quem não pagar, não come.
Carlos pensou. Era justo.
Ele abriu o grupo de novo e digitou devagar:
*"Galera, bora fazer o churrasco. Vou listar o que precisa e o valor de cada item. Cada um escolhe o que traz e paga. Quem não pagar até sexta, fica sem. Sem estresse."*
Ele listou: carne (R$ 80 reais cada), cerveja (R$ 40), refrigerante (R$ 15), carvão (R$ 10), pão de alho (R$ 10), sobremesa (R$ 15).
Em cinco minutos, as respostas começaram a chegar.
*"Pego a carne."* — Marcos.
*"Fico com a cerveja."* — Léo.
*"Refri e carvão."* — Fernando.
*"Pão de alho e sobremesa."* — Bruno.
Carlos somou. Fechou. Todo mundo pagou até sexta.
No sábado, o churrasco rolou na laje do prédio. A carne estava no ponto, a cerveja gelada, o pão de alho crocante. Carlos virou um espeto na churrasqueira e sentiu o cheiro de fumaça subir.
— Funcionou — o Léo disse, abrindo uma cerveja.
— O quê?
— A vaquinha. Todo mundo pagou, ninguém reclamou.
— É porque dividi certo.
— É porque você foi direto, sem enrolação.
Carlos mordeu um pedaço de carne. A gordura estalou nos dentes. Da próxima vez, ia fazer vaquinha de novo.
*Continua em: 314 — Luísa — Combinar quem leva o que em evento sem constranger*