Luísa encarou a mensagem no celular como se fosse uma bomba.
*"Luísa, querida! Recebi o convite da festa do Pedro. Vou levar meus dois filhos, tá? Eles estão tão animados! Beijos, Tia Sônia."*
— Ela vai trazer as crianças.
— Quem? — Carlos perguntou, sem tirar os olhos da TV.
— Tia Sônia. Com os dois filhos. Que quebram tudo.
— Ah, não.
— Ah, sim.
A Tia Sônia era prima da Dona Lúcia. Uma mulher legal, mas os filhos — gêmeos de seis anos — eram um terror. Na última festa que foram, derrubaram o bolo, riscaram o sofá com giz de cera, quebraram um vaso.
— Você precisa desinvitar — Carlos disse.
— Como é que desinvita alguém?
— Fala que a festa mudou. Que é só pros colegas do Pedro.
— Ela já viu o convite.
— Então fala a verdade.
Luísa engoliu seco. Falar a verdade era difícil. Mas pior era ter os gêmeos destruindo a casa.
Ela respirou fundo e ligou.
— Tia Sônia?
— Oi, querida! Já tô separando a roupa dos meninos!
— Tia, então... sobre a festa.
— Fala!
— A festa vai ser mais... íntima. Só os amiguinhos da escola do Pedro. Não vai ter espaço pra mais crianças.
Silêncio.
— Ah.
— Foi mal, tia. Mas ano que vem a gente faz uma festa maior, aí a senhora vem com os meninos.
— Tudo bem, Luísa. Entendo.
— A senhora não ficou chateada?
— Não. É chato ouvir, mas prefiro ouvir agora do que chegar lá e ver que não é lugar pras crianças. Agora sei que posso deixar eles com a babá e ir num jantar de adulto outro dia.
Luísa soltou o ar. — Obrigada por entender, tia.
— Claro. Beijo.
Ela desligou e ficou olhando pro celular. Carlos olhou pra ela.
— Conseguiu?
— Consegui.
— Como?
— Falei a verdade.
— Doeu?
— Um pouco. Mas passou.
— Mais que um vaso quebrado?
— Muito menos.
*Continua em: 313 — Carlos — Organizar vaquinha para evento com amigos*