Carlos parou na porta da festa e sentiu o estômago apertar. Do lado de dentro, a Clarinha estava recepcionando os convidados. E do lado dela, de copo na mão, estava o ex-namorado.
— Ele veio? — Carlos murmurou.
— A Clarinha convidou — Luísa disse, baixinho. — Eles terminaram bem. Ela disse que é de boa.
— Terminaram bem pra ela. Pra mim, ele ainda é o cara que fez minha irmã chorar no ano passado.
— Carlos.
— Tá, tá.
Eles entraram. O ex — o Rafael — cumprimentou a Clarinha com um abraço educado e foi pro canto do salão. Carlos não conseguia tirar os olhos.
— Para de olhar — Luísa sussurrou.
— Não tô olhando.
— Tá sim. Respira.
Carlos pegou um copo de refrigerante e foi cumprimentar os parentes. Passou pela mesa de doces. Passou pelo tio João. Quando olhou de novo, o Rafael estava na fila do churrasco, sozinho.
— Vai lá — Luísa disse.
— O quê?
— Cumprimenta. Seja educado. Você não precisa ser amigo. Mas também não precisa ser inimigo.
Carlos respirou fundo. Andou até a fila do churrasco.
— Rafael.
— Carlos. E aí?
— Beleza. Saudade da Clarinha?
O Rafael riu, meio sem jeito. — A gente se fala ainda. Terminou bem, sabe.
— Sei. — Carlos não sabia, mas falou. — É... fica à vontade.
— Valeu.
Carlos voltou pra mesa com dois pães de alho. Luísa olhou pra ele.
— Conseguiu?
— Consegui. Não virei amigo. Mas não fui grosso.
— É o suficiente.
— É.
Ele mordeu o pão de alho e sentiu a manteiga derreter na língua. O Rafael estava no outro canto, conversando com um primo. Dava pra conviver.
*Continua em: 310 — Luísa — Comemorar aniversário da avó ou avô*