Luísa fechou a porta do quarto e falou baixinho no telefone.
— Camila, preciso de ajuda.
— O que foi?
— O aniversário do Carlos é mês que vem. Quero fazer uma festa surpresa.
— Legal! Já tem data?
— No sábado depois do aniversário dele. Mas ele desconfia de tudo. Uma vez eu tentei fazer surpresa e ele achou que era reunião de condomínio e fugiu.
Camila riu do outro lado.
— Então você precisa de um disfarce bom.
— Tipo?
— Fala que vai ter um jantar da empresa. Que é obrigatório. Ele vai odiar, mas vai.
Luísa pensou. Carlos odiava jantar de empresa. Ele ficaria de mau humor o dia inteiro. Perfeito.
No dia marcado, ela preparou tudo. Mandou mensagem pros amigos, encomendou salgados na Padaria do Seu Jorge, comprou balões e um bolo de chocolate — o favorito dele. A Camila ficou responsável por levar todo mundo pro salão do prédio enquanto Luísa trazia o Carlos.
— Vamos logo — ela disse, vestindo uma blusa qualquer, cabelo preso de qualquer jeito. — O jantar é às oito.
— Eu não queria ir — Carlos resmungou, apertando o cinto no carro.
— É obrigatório.
— Eu sei. Mas não precisava ser hoje.
O Toby latiu do quintal quando eles saíram. Carlos suspirou fundo.
Quando entraram no salão do prédio, a luz estava apagada.
— Que horas é o jantar? — ele perguntou.
— Já já.
A luz acendeu. Todo mundo gritou: "SURPRESA!".
Carlos deu um passo pra trás, os olhos arregalados. Olhou pra Luísa. Depois pro bolo. Depois pros amigos.
— Isso é... aniversário?
— Surpresa — ela disse, sorrindo.
Ele ficou quieto por um segundo. Depois riu, um riso solto, e abraçou ela com força.
— Você me enganou bem.
— Eu sei.
— Mas juro que achei que era jantar de empresa.
— Era o plano.
Ele balançou a cabeça, ainda rindo, e foi cumprimentar os amigos. Luísa ficou na porta, vendo ele abrir os presentes, o bolo sendo cortado.
— Melhor que reunião de condomínio? — a Camila perguntou, chegando perto.
— Muito melhor.
*Continua em: 309 — Carlos — Conviver com ex-parceiro de familiar em eventos*