Como lidar com parentes que não ajudam na arrumação da festa?

Luísa

Luísa olhou para a sala. Balões pendurados, mesa com toalha nova, enfeites de aniversário espalhados. Faltava encher mais vinte bexigas, arrumar os copos, cortar o bolo. E ela estava sozinha na sala.

Na cozinha, Dona Lúcia mexia a panela de arroz. Na sala, o Seu Antônio lia o jornal na poltrona. O Beto estava no celular no cantinho. A Clarinha arrumava a bolsa, pronta pra sair.

— Alguém pode me ajudar com as bexigas? — Luísa chamou.

— Eu já fiz o arroz — Dona Lúcia respondeu da cozinha.

— Tô lendo uma matéria aqui — o Seu Antônio disse, sem tirar os olhos do jornal.

— Preciso ir — a Clarinha disse, passando pela porta. — Volto na hora do parabéns.

Luísa respirou fundo. A bexiga escapou da mão e saiu voando pela sala, soltando um pum de ar.

— Aff — ela murmurou.

Carlos apareceu na porta com uma caixa de refrigerante.

— O que foi?

— Ninguém ajuda.

Ele olhou em volta. O pai no jornal, o irmão no celular, a irmã saindo.

— Deixa comigo.

Carlos foi até o Seu Antônio e tirou o jornal da mão dele devagar.

— Pai, a Luísa precisa de ajuda com as bexigas.

— Tô lendo.

— Depois o senhor lê. A festa começa em uma hora.

Seu Antônio resmungou, mas se levantou. Carlos foi até o Beto e cutucou o ombro dele.

— Mano, larga o celular. Vem encher bexiga.

— Pô, Carlos.

— Anda.

Beto guardou o celular no bolso e veio. Dez minutos depois, a sala estava pronta. Bexigas no teto, copos na mesa, bolo no centro.

Luísa olhou para o resultado e depois para o Carlos.

— Como você fez eles ajudarem?

— Pedi sem dar opção de recusar.

— Pedir sem dar opção?

— É diferente de pedir educadamente. Pedir educadamente dá chance da pessoa negar. Pedir de verdade é convite que não se recusa.

Luísa riu. — Vou anotar essa.

— Pode anotar.

O portão tocou. Os primeiros convidados chegando. Luísa deu o último ajuste na toalha e foi atender.

*Continua em: 307 — Carlos — Celebrar aniversário de parente sem exageros*