Luísa era designer. Organizar imagens era o que ela sabia fazer.
Mas organizar as fotos da família era outra história.
— Olha isso — ela disse, virando o notebook pro Carlos.
— O que é?
— Isso. Nove mil fotos no meu Google Fotos. E isso é só da família.
— Nove mil?
— Pra você ter ideia, tem foto do Pedro quando ele tinha 4 anos. Ele tem 10.
— Por que você não apaga?
— Porque cada uma tem uma história.
Carlos olhou a tela. A bagunça era total. Fotos do churrasco, da praia, do aniversário, do Natal. Tudo misturado.
— Você precisa de um sistema.
— Eu preciso de um milagre.
— Cria um álbum compartilhado.
— Como?
— No Google Fotos. Cria um álbum, convida geral, cada um põe as fotos que quer.
— E todo mundo vai colocar?
— A Clarinha vai. O Beto também. Minha mãe vai colocar foto do prato de comida.
Luísa riu.
— Pode ser que funcione.
Ela criou o álbum. Chamou de "Família Almeida-Martins". Convidou todo mundo do grupo.
Na primeira semana, só ela postou. Na segunda, a Clarinha colocou fotos do aniversário. Na terceira, o Beto colocou do churrasco.
— Tá funcionando — ela disse.
— Tá.
— Sabe o que falta?
— O quê?
— Um álbum físico. Impresso.
— Você é designer. Faz.
— Vou fazer.
Luísa passou um fim de semana selecionando as melhores fotos. Organizou por data, por evento. Criou um livro digital no Canva, mandou imprimir.
Quando o livro chegou, ela reuniu a família no almoço.
— Comprei uma coisa.
Ela colocou o livro na mesa. Capa dura, foto da família na praia.
Dona Lúcia abriu. Folheou. Parou numa foto do tio Jorge.
— Essa aqui não tava no digital.
— Eu coloquei. É uma das minhas favoritas.
Dona Lúcia passou a mão na página.
— A gente precisava disso.
— Precisa.
— Pra não deixar as memórias morrerem.
Luísa sentou e viu a família inteira folheando o livro. Cada foto gerava uma história. Cada história gerava uma risada.
Ela olhou pro Carlos. Ele sorriu.
— Ficou bom, hein.
— Ficou.
Era só um álbum de fotos. Mas era a história deles.
*Continua em: 303 — Encomendar salgados para festa*