Carlos estava rolando o feed quando viu.
Uma foto de Pedro. No perfil da tia Alzira. Pedro no parque, de short vermelho, sujo de areia, com um sorriso bobo.
A legenda: "Meu sobrinho mais lindo!"
Carlos franziu a testa.
— Luísa.
— Oi?
— Olha isso.
Ele virou o celular. Luísa olhou.
— Ela postou foto do Pedro?
— Sem perguntar.
— Nossa.
— E não é a primeira vez. Mês passado ela postou a gente no churrasco. Eu tava de moletom velho.
— Carência de like.
— Mas e o Pedro? Ele tem direito de escolher se quer a foto dele na internet?
— Ele tem 10 anos.
— Exato. A escolha não é dele.
Carlos ficou remoendo aquilo. Não queria criar caso, mas também não queria deixar passar.
No jantar em família, ele puxou o assunto.
— Tia Alzira, a senhora pode me mostrar as fotos antes de postar do Pedro?
— Por quê?
— Porque ele é menor de idade. E a gente prefere controlar o que sai.
— Mas é só uma foto.
— Eu sei. Mas é o rosto dele.
Tia Alzira franziu o nariz.
— Tá bom. Mas acho exagero.
— Pode ser. Mas é importante pra gente.
Na semana seguinte, ela mandou uma foto no grupo antes de postar. Pedro na escola, com o trabalho de ciências.
*"Pode?"*
Carlos respondeu:
*"Pode."*
Ela postou. E Carlos sentiu que, mesmo sendo um passo pequeno, tinha estabelecido um limite que fazia diferença.
— Ela perguntou — ele disse pra Luísa.
— Isso é progresso.
— É. Pequeno, mas é.
— É assim que se constrói. Um limite de cada vez.
*Continua em: 302 — Criar álbum de fotos digital da família*