Como celebrar datas religiosas em família?

A Páscoa estava chegando e Dona Lúcia já tinha ligado três vezes.

— Vocês vão na missa?

— Mãe, a gente não vai na missa.

— Mas é Páscoa.

— A gente pode almoçar junto.

— Mas a missa é importante. Depois a gente almoça.

Carlos suspirou. Ele não era mais frequentador de igreja. A fé dele era outra coisa, mais íntima, menos institucional. Mas a mãe não entendia.

— Por que você não vai? — Luísa perguntou.

— Porque não faz sentido pra mim.

— Mas faz pra ela.

— Eu sei.

— Então vai. Não pela religião. Por ela.

— É hipocrisia.

— É companhia. Ela quer você perto.

Carlos pensou. No domingo de Páscoa, ele acordou cedo, colocou a camisa azul clara e foi buscar a mãe.

— Vamos?

— Vamos.

Dona Lúcia sentou no banco do carro com o vestido estampado, a bolsa de couro no colo.

— Obrigada por vir, filho.

— Tudo bem.

— Sei que você não gosta.

— Não é que eu não gosto. É que não é mais minha praia.

— Mas você veio.

— Vim.

Na igreja, ele sentou ao lado dela. O padre falou, as pessoas cantaram. Carlos não cantou. Mas segurou o hinário pra mãe, levantou quando ela levantou, sentou quando ela sentou.

No final, Dona Lúcia apertou o braço dele.

— Obrigada.

— De nada, mãe.

No almoço, ela comentou com todo mundo.

— O Carlos foi na missa comigo.

— Que milagre — Beto disse.

— Não é milagre — Carlos respondeu. — É que eu gosto da companhia dela.

Dona Lúcia sorriu. E foi o melhor presente de Páscoa que ela podia ter ganhado.

*Continua em: 298 — Lidar com diferenças religiosas na família*