Era véspera de Natal e Carlos estava na cozinha ajudando Dona Lúcia.
— Sempre foi assim? — ele perguntou.
— O quê?
— A ceia. Sempre a mesma coisa?
— Todo ano. Peru, arroz com passas, farofa, aquele chester que seu pai gostava.
— E a senhora gosta?
Dona Lúcia parou de mexer a panela.
— Nunca pensei nisso.
— Pois é.
Carlos estava pensando em algo que vinha martelando a cabeça há semanas. Ele queria criar uma tradição nova. Algo que o Pedro lembrasse. Mas não sabia como começar.
— O que você tem em mente? — Luísa perguntou, mais tarde.
— Sei lá. Uma coisa que a gente faça todo ano. Só nós três.
— Tipo o quê?
— Acampar?
— Você odeia acampar.
— É verdade.
— Jogar videogame?
— Pedro ganha de mim.
— E isso seria uma tradição — perder pra ele?
Carlos riu.
— Talvez.
No sábado seguinte, ele reuniu todo mundo na sala.
— Vou fazer uma proposta.
Luísa e Pedro olharam.
— Todo último domingo do mês, a gente faz uma noite do something. Cada mês uma pessoa escolhe.
— Qualquer coisa? — Pedro perguntou.
— Qualquer coisa.
— Pizza e filme?
— Isso pode ser um mês.
— E em janeiro eu escolho?
— Pode.
Pedro pensou.
— Topo.
Luísa também topou.
No último domingo de janeiro, Pedro escolheu: pizza de calabresa e filme de ação. Eles pediram a pizza, sentaram no sofá com cobertores, Toby deitado no meio.
Não era nada grandioso. Não tinha nada de especial. Mas era deles.
— Semana que vem é minha vez — Carlos disse.
— Vai ser o quê?
— Segredo.
Pedro sorriu. E Carlos sentiu que tinha começado algo que ia durar.
*Continua em: 296 — Manter vivas as tradições da família*