Como se adaptar a morar perto da família novamente?

Dona Margô ia se mudar.

A notícia chegou num sábado, num áudio de trinta segundos. Ela ia vender a casa no interior e vir pra capital. Ia morar num apartamento a vinte minutos do casal.

— Ela vai ficar perto — Luísa disse, o celular ainda na mão.

— É o que você queria, não? — Carlos respondeu.

— É. Mas agora parece estranho.

— Por quê?

— Porque a gente criou uma vida aqui. Nossa rotina. Nossos horários. Agora minha mãe vai estar perto. Toda hora.

— Você não precisa ver ela toda hora.

— Eu sei. Mas como falo isso sem parecer que não quero ela perto?

— Fala antes dela chegar.

Luísa pensou.

— "Mãe, fico feliz que a senhora vem. Mas a gente precisa combinar como vai funcionar."

— Perfeito.

Quando Dona Margô chegou, Luísa a recebeu no apartamento novo. A mudança ainda estava em caixas. O cheiro de tinta fresca no ar.

— Gostou?

— Gostei. É menor que a outra casa, mas é mais prática.

— Mãe, podemos conversar?

— Claro.

— Eu quero que a senhora esteja perto. Mas a gente precisa ter combinados.

Dona Margô sentou na poltrona.

— Fala.

— A gente não vai poder almoçar junto todo domingo. Nem aparecer sem avisar. Não é porque eu não quero. É porque a gente precisa da nossa rotina.

— Eu sei.

— A senhora entende?

— Luísa, eu fui casada. Morei perto da minha sogra. Sei como é.

Luísa riu.

— Então a senhora sabe que é melhor combinar antes do que brigar depois.

— Sei. E concordo.

— Combinado então?

— Combinado.

Elas se abraçaram. E pela primeira vez desde que a mãe anunciou a mudança, Luísa sentiu que ia dar certo.

*Continua em: 295 — Criar novas tradições familiares*